São tantas as coisas que acontecem na farmácia que ou começo a apontar ou então já foste..!

 

Genérico ou de marca?

Bem…  Quem já não foi confrontado com esta pergunta que diga. Acho que toda a gente que um dia aterrou em alguma farmácia ouviu algo assim. É um clássico.

Diálogo comum entre eu ou algum dos meus colegas com 70% dos clientes:

Entra a pessoa, dá-me a receita para a mão e começa aqui uma série de respirações profundas…

Eu: Já é habitual esta medicação?

Utente: Não, é a primeira vez.

Eu: Tem preferência por genérico ou de marca?

Utente: Menina, eu quero o que está aí.

Eu: Então é genérico, o médico passa pelo principio activo dando-lhe assim a possibilidade de escolher.

– Selecciono genérico, normalmente o que existe em maior quantidade na farmácia e trago para o balcão.

Utente: Não é nada disso!

Eu: Mas não me disse que era a primeira vez que ia tomar?

Utente: Pois mas a caixa não é essa.

– Pronto, nesta fase já estou a respirar fundo… Já está visto que o atendimento vai ser longo. E pergunto-me eu: se nunca tomou isto porque raio o homem diz que a caixa não é esta? Claramente afinal sempre já tomava isto, não apanhou foi aquela parte da medicação habitual. Lá tento perceber o utente e volto a carga.

Eu: Então diga-me como é que é a caixa?

Utente: Oh menina é assim quadrada…

Penso eu: Cum carago, mas eu não tenho caixas redondas… Nunca mais vai ser natal. Vou lá dentro e trago as caixas todas que tenho daquela medicação. É sempre fixe principalmente porque depois elas não voltam sozinhas para as gavetas. Enquanto dura este filme, a fila na farmácia vai aumentando.

Utente: olhe, é esta mesmo!

Eu: afinal já tomava esta medicação?

Utente: Pois já, eu disse-lhe.

Respira Marta, atrás deste vem já outro igual ou pior 🙁

Eu: Já sabe como tomar não já?

Utente: é com água ou com um “copito” de vinho, o que tiver mais à mão.

Eu: espero que seja com água, não deve tomar medicação com álcool.

Finalizo esta anedota de atendimento e pergunto: factura com contribuinte?

Utente: não quero nada.

Eu: Portanto… São 20€ (um exemplo).

Utente: Já me tirou com o contribuinte?

Eu: Acabei de lhe perguntar se queria com contribuinte e disse-me que não.

Utente: Mas tire-me e é tanto dinheiro a conta, na receita dizia que o máximo que poderia ir era até X valor. Não venho cá mais, esta farmácia é muito cara.

Isto é o meu pão nosso de cada dia ou de qualquer colega que trabalhe em farmácia. Não inventei nem sequer uma virgula.  Depois de eu ter ido buscar camiões de caixas e ele escolher a que afinal já tomava, ainda me diz que é caro! Se já tomava já sabia o preço, sendo sujeito a receita o preço é igual em todo o lado. Chega a um ponto que uma pessoa até pensa que estão a dar-nos grande tanga, mas não!

E se pensam que este tipo de clientes que diz que não voltam cá mais, não volta… Desengane-se, amanhã já estão aí outra vez, cheios de força e vontade para nos lixarem o juízo.


MartaPinto

Como já perceberam pelo nome do blog, sou uma pessoa que normalmente só penso depois de falar. Gosto muito de cozinhar, salgados em particular, sou criativa, empenhada e geralmente só digo asneiras :-)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

%d bloggers like this: